O que as gringas acham dos brasileiros?

"Homem é tudo igual" - que cara nunca ouviu essa frase de alguma mulher? A ideia de que todos os homens do mundo são instintivo...

O que as gringas acham dos brasileiros?
"Homem é tudo igual" - que cara nunca ouviu essa frase de alguma mulher? A ideia de que todos os homens do mundo são instintivos e se comportam da mesma maneira, principalmente perto de mulheres, é bastante comum e disseminada. E esse conceito se propaga entre os próprios homens, que acabam reproduzindo atitudes e comportamentos de terceiros por sentirem que "é assim que homem têm de ser".

Nesse dia do homem, o iG Deles resolveu apurar se os marmanjos são mesmo todos farinha do mesmo saco, conversando com quem mais entende do assunto: mulheres que já conheceram homens de todos os cantos do mundo.

Antes de vir trabalhar no Brasil, a alemã Isabel Stoden, de 38 anos, nunca havia conhecido um brasileiro, apenas mulheres. E a imagem que ela tinha dos homens do país era a mesma que tinha de homens latinos no geral, ou seja, machistas.

"Eu realmente aprendi sobre brasileiros e a cultura deles quando cheguei aqui. Em geral, fiquei surpresa do quanto as pessoas são amigáveis, inclusive os homens, mas também fiquei surpresa do quanto ofensiva pode ser a atenção que a gente recebe dos homens aqui. É muito diferente dos alemães", conta Stoden.

Morando em São Paulo há dois anos, Isabel diz que só o fato de ela ser mulher já é o suficiente para chamar a atenção dos homens por aqui, ao contrário do que acontece na Alemanha.

"Os alemães flertam de uma maneira mais discreta e racional, eles tentam engajar uma conversa interessante em vez de só elogiar. [Aqui] é tudo baseado em elogios rasos, sobre como eu estou bonita, a cor dos meus olhos, e etc., e acham que isso é o suficiente para que eu me sinta atraída por eles", compara.

Apesar disso, ela confessa que o jeito mais racional e discreto dos alemães pode ser um ponto negativo, já que nem sempre fica claro quando um homem está apenas sendo gentil ou se está flertando. Stoden também vê outra vantagem entre os brasileiros: "eles são muito mais cavalheiros e carinhosos, além de mais amigáveis e fáceis de manter contato".

A afeição é também a característica dos brasileiros que mais encanta a norte-americana Heather Borguetti, de 35 anos. Casada com um brasileiro, ela conta que a maneira como os homens daqui expressam o afeto pelas mulheres que amam é mais livre e natural do que nos Estados Unidos.

“Os americanos sentiriam um pouco de vergonha de dizer algumas coisas que o meu marido diz para mim tão abertamente. Além disso, os casais raramente se tocam em público, e qualquer coisa além de mãos dadas e um selinho já ofende as pessoas”, comenta.

Para a americana, no entanto, esse tipo de contato físico só pode ser visto como positivo quando há um consenso entre o homem e a mulher. E para os brasileiros, esse limite parece ser mais difícil de perceber – mesmo quando a mulher deixa claro que não está interessada.

Essa insistência e falta de limites dos brasileiros já fez com que a professora norte-americana Liz Walker*, de 30 anos, partisse para a violência em uma festa.

A professora estava em uma balada quando um cara ficou tentando beijá-la. Mesmo dizendo que não estava interessada por diversas vezes e indo para outro ambiente da festa, o homem a seguiu e continuou insistindo, até que ela perdeu a paciência e o empurrou na parede segurando no pescoço dele.

“Eles não entendem que ‘não’ significa ‘não’. Eles continuam tentando mesmo depois de você ter declinado a oferta. É realmente irritante e rude”, lembra ela, que mora no país há cinco anos.

A sul-africana Norma Zuma, de 43 anos, também se incomoda com a maneira invasiva e machista com que os brasileiros tratam as mulheres, mas acredita que isso só deve mudar quando as brasileiras perceberem que o homem não deve mandar na relação e exigirem uma mudança na postura deles.

“Mulheres ocidentais não gostam dessa atitude de macho controlador que alguns homens brasileiros têm. É broxante e infantil”, comenta Zuma, que mora no Rio de Janeiro desde 2011.

Mesmo os latinos não são farinha do mesmo saco

E para quem pensa que essa cultura de exaltar o macho-alfa é algo comum entre todos os latinos, não se engane: há muitas diferenças entre a maneira como os hermanos e os brasileiros tratam as mulheres.

Mesmo morando há pouco mais de um mês no Brasil, a venezuelana Mailith Rodríguez, de 27 anos, já consegue enxergar grandes disparidades entre os homens daqui e os de seu país, a começar pelo respeito.

“Os venezuelanos agem de uma maneira muito mais charmosa, instigando você a se interessar por eles. Além disso, eles não são insistentes. A técnica deles é simplesmente ser amigável e fazer você se sentir confortável e ganhar sua confiança”, conta Mailith.

Para ela, os brasileiros não têm a cultura de respeitar as mulheres como iguais e, somando a isso o fato de eles serem mais extrovertidos e diretos, acabam ignorando as vontades delas e invadindo o espaço pessoal.

Em comparação com os homens argentinos, no entanto, a professora de educação física Florencia Diaz, de 32 anos, avalia os brasileiros de uma maneira bem diferente que as outras entrevistadas para a reportagem.

Após morar seis anos no País, a argentina diz que os brasileiros não são tão diretos na hora do flerte quanto as pessoas dizem.

“Quando fiquei solteira e tive interesse em conhecer alguém, me chamou muito a atenção o quanto os homens daqui demoram em puxar um papo. É muito olhar e, no final das contas, nada acontece”, lembra Flor.

Ainda assim, ela reconhece que os brasileiros são mais machistas e tendem a excluir as mulheres em momentos de tomada de decisão.

E se a imagem dos homens brasileiros em comparação com os estrangeiros não é das melhores, não significa que é preciso copiar os gringos em tudo o que eles fazem ou que eles são mais homens. Na verdade, a comparação mostra que homens não são naturalmente todos iguais – mesmo entre os brasileiros –, e que é a cultura machista que faz alguns homens reproduzirem atitudes e comportamentos que acabam desrespeitando as mulheres.

Para a americana Liz, o Brasil precisa investir mais em educação sexual nas escolas, para ensinar as mulheres sobre quais são os seus direitos, e também ensinar os homens a respeitá-los.

“As escolas e famílias precisam focar mais em não objetificar as mulheres somente como seres sexuais, celebrando também a inteligência e a força. E esse não é só um problema do Brasil. Essa precisa ser uma mudança geral de como as mulheres e os homens são vistos na cultura atual”, conclui.

Tribuna da Bahia

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