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Os efeitos do assédio sexual em transporte público para vítimas

Especialistas apontam que essa forma de violência gera mudanças significativas na vida da vítima. Dificuldade para dormir e respirar são algumas consequências desse ato

Uma das agressões mais recorrentes contra as mulheres é o assédio sexual em coletivos públicos. Segundo dados de pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo, em 2017, com 428 pessoas do sexo feminino, a cada dez mulheres quatro consideram o transporte público um lugar vulnerável ao assédio. De acordo com Michelle Steiner, psicóloga, pós-doutora em Engenharia do Conhecimento e coordenadora do Programa de Ações Integradas pela Vida (PÃIM) da Universidade Federal do Ceará (UFC), as mulheres são as principais agredidas e o número de denúncias de assédio feminino em local público vem aumentando. “Dentre os relatos mais frequentes estão as reações de choque, onde a pessoa fica paralisada e vivencia emoções como ira, humilhação, impotência e medo”, exemplifica a especialista.

Os efeitos de assédio sexual em transporte público para vítimas

A psicóloga ainda explica que é comum que as agredidas busquem explicações individuais para justificar e ampliar a compreensão do assédio sexual vivido. Não percebendo que houve a invasão arbitrária e não autorizada do seu corpo e do seu espaço. “Para muitas mulheres, dada a educação repressora e as dicotomias de gênero características da sociedade moderna, essas explicações acabam permeadas por sentimentos de vergonha e autoculpabilização, que se consubstanciam em interditos, como ‘a responsabilidade foi minha’, ‘eu não deveria estar usando esta roupa’, ‘eu necessito ser mais atenta’.”

Essa forma de violência pode gerar mudanças significativas na vida da vítima, é o que explica Juliana Sampaio, doutora em Psicologia e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece). “Muitas mulheres abandonam seus empregos, escolas e faculdades por terem medo de viver novamente esse tipo de violência. Outras fazem trajetos mais longos para se deslocarem ou mudam a forma de se vestir na esperança de evitar os assédios sexuais. Algumas mulheres após tentarem várias estratégias acabam se isolando, pois não entendem que o problema não está nas roupas, lugares ou horários, mas no fato de alguns homens acreditarem que seus corpos são públicos e que eles podem fazer o que quiserem com elas.”

A professora ainda salienta que algumas mulheres, após o assédio, por já estarem fragilizadas, podem ter dificuldade para dormir; ficar com medo de andar em espaços públicos ou ainda sentir dificuldade para respirar e ter aceleração dos batimentos cardíacos quando estão em situações que lembram o assédio sexual. E conforme for a intensidade dos sintomas, é interessante que haja uma intervenção jurídica e psicoterápica. “Caso a mulher esteja em sofrimento, é importante que ela busque ajuda profissional para que não ocorram outros agravos na situação. Conversar com outras mulheres e participar de coletivos onde haja espaço para o diálogo, sem julgamento, também podem ser importantes suportes. Procurar a justiça também ajuda para que não se sinta desamparada.”

Apoio de aplicativo

Raffaela Castelo Branco, psicóloga do Centro de Referência da Mulher (CRM), vinculado à Prefeitura de Fortaleza, reforça que é importante o encaminhamento da denúncia de forma rápida. O botão virtual “Nina” é, por exemplo, uma ferramenta importante nesse processo, juntamente com o acolhimento realizado pelos profissionais da instituição. A ferramenta faz parte do aplicativo Meu Ônibus. De forma legal e especializada, o Centro, ajuda a vítima a sentir segurança com as consequências do ato assedioso. Quando o botão é acionado, gera-se um número de protocolo e as imagens são encaminhadas para a delegacia da mulher.

“Chegando à delegacia, a vítima apresenta o número disponibilizado pelo sistema e a partir da numeração é possível verificar as imagens dentro do transporte coletivo em que aconteceu o ato. A delegada orienta a fazer todos os procedimentos formais e, caso seja necessário, é encaminhada ao Centro de Referência, que se localiza dentro da Casa da Mulher Brasileira, para que seja feito o primeiro atendimento psicológico. Se for preciso um auxílio mais duradouro, a vítima é encaminhada para um acompanhamento assistencial disponibilizado pela Prefeitura de Fortaleza com psicólogos, assistentes sociais e agentes de saúde”, explica Raffaela.

Serviço

Centro de Referência da Mulher

Onde: rua Tabuleiro do Norte com, rua Teles de Sousa-Couto Fernandes, Fortaleza (CE)

Quando: de segunda a domingo, atendimento 24 horas

Mais informações: (85) 3108 2999


(O povo)
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Claudio Jesus

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